A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu preventivamente, na manhã desta quinta-feira (8/10), um homem de 29 anos investigado por suspeita de desviar mais de R$ 1,6 milhão de uma empresa do setor alimentício em Pouso Alegre, no Sul de Minas. A prisão ocorreu por volta das 6h, na residência do investigado.
O caso foi apresentado pela PCMG durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, na Delegacia Regional de Polícia Civil de Pouso Alegre-MG.
Segundo a Polícia Civil, as investigações começaram após representantes da empresa procurarem a instituição, no dia 30 de setembro, para denunciar possíveis desvios financeiros praticados por um funcionário que trabalhava havia aproximadamente dez anos na empresa, exercendo as funções de contador e coordenador financeiro.
Transferências para contas particulares
Conforme as investigações, o suspeito era responsável pela movimentação financeira da empresa e teria realizado diversas transferências bancárias, por meio de Pix, para contas particulares.
Uma auditoria interna identificou movimentações consideradas suspeitas que totalizam aproximadamente R$ 1,685 milhão, considerando apenas os três meses analisados até o momento.
Ainda de acordo com a PCMG, mesmo após deixar a empresa, o investigado teria entrado em contato com clientes e parceiros comerciais para solicitar transferências de valores para uma conta própria.
Para isso, ele teria utilizado um endereço de e-mail semelhante ao institucional da empresa, cadastrado como chave Pix, sem autorização.
Em uma das situações identificadas, o suspeito teria solicitado a um parceiro comercial uma transferência de R$ 900 mil. A tentativa foi comunicada à empresa e passou a integrar as investigações.
Suspeito teria citado apostas durante conversa com policiais
Diante dos elementos reunidos durante a apuração, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva do investigado. O pedido foi deferido pela Justiça na quarta-feira (7/10), e o mandado foi cumprido na manhã desta quinta-feira.
Durante a ação, os policiais apreenderam o telefone celular do suspeito. O aparelho será analisado para auxiliar no rastreamento das movimentações financeiras e na identificação do possível destino dos valores.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Renato Gavião, durante uma conversa informal, o investigado teria afirmado que utilizou os valores desviados em plataformas de apostas esportivas, alegando possuir dívidas relacionadas aos jogos.
Ainda conforme relatado pela Polícia Civil, o homem também teria mencionado realizar acompanhamento psicológico e psiquiátrico. A PCMG ressaltou, entretanto, que essas declarações ainda não foram formalizadas nem confirmadas pelos elementos reunidos na investigação.
A Polícia Civil apura se os recursos foram efetivamente destinados às apostas ou se parte do dinheiro permanece em contas bancárias ou em outros investimentos.
Polícia investiga possível prejuízo a outras empresas
Além da empresa que apresentou a denúncia inicial, a PCMG identificou indícios de possível prejuízo financeiro envolvendo uma segunda empresa para a qual o investigado também prestava serviços contábeis.
Os levantamentos apontam ainda que parte das transferências pode ter sido destinada à conta bancária da esposa do suspeito. Ela deverá ser ouvida pela Polícia Civil para prestar esclarecimentos sobre as movimentações.
A investigação busca identificar o destino dos valores e verificar se o prejuízo total é superior aos R$ 1,685 milhão inicialmente identificados.
Isso porque a auditoria apresentada à Polícia Civil contempla apenas três meses de movimentações, enquanto existem registros financeiros de períodos anteriores que ainda serão analisados.
A PCMG também solicitou acesso a informações bancárias para aprofundar o rastreamento dos valores e verificar a existência de outras movimentações consideradas irregulares.
As investigações continuam para esclarecer a extensão dos possíveis desvios, identificar eventuais outras vítimas e apurar o destino dos recursos.
O suspeito foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.






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